Rinofima – Aspectos Importantes da Patologia e Tratamento Cirúrgico com Eletrocautério.

Resumo

O rinofima, caracterizado por nariz bulboso, é uma doença altamente estigmatizante. Acomete quase que exclusivamente o sexo masculino. Este trabalho objetiva apresentar alguns casos de rinofima, tratados com eletrocautério, seus resultados e impactos na vida dos pacientes, além de dissertar sobre aspectos importantes de uma patologia não tão comum, mas com grandes efeitos sociais e psicológicos. Foi realizada revisão bibliográfica do tema e relato de casos clínicos, antes e após o tratamento. Todos os pacientes afirmaram grande satisfação estética após a conduta proposta, com ganho importante na autoestima e interações sociais. Não ocorreram recidivas. Nas peças cirúrgicas não foram encontradas células carcinomatosas. A experiência ampla com uma determinada modalidade cirúrgica favorece o baixo índice de complicações e a torna a mais adequada a ser empregada. A técnica operatória escolhida para a confecção desse trabalho foi a eletrocauterização. Bruno Cosme Caiado – Residente do 2º ano do Serviço de Cirurgia Plástica da Universidade de Nova Iguaçú – UNIG – Hospital da Plástica, Membro Aspirante da SBCP, CBC (APRESENTADOR), Larissa Cosme Caiado – Pós-graduanda do 1º ano do Instituto de pós-graduação em Dermatologia Prof. Izamar Milidiu Silva, Brasil Ramos Caiado Neto – Chefe do Serviço de Cirurgia Plástica e Microcirurgia do Instituto Nacional do Câncer, Membro Titular da SBCP, FILACP, CBC Célio Coelho Neto Leão – Residente do 2º ano do Serviço de Cirurgia Plástica da Universidade de Nova Iguaçú – UNIG – Hospital da Plástica, Membro Aspirante da SBCP, CBC Farid Hakme – Chefe do Serviço de Cirurgia Plástica – Faculdade de Medicina da UNIG, Diretor do Hospital da Plástica, Ex- presidente da SBCP (1998-2001).

Introdução

A rosácea é uma doença comum, especialmente em pessoas de pele sensível, como origem nórdica. É rara em negros. As fases iniciais predominam em mulheres (3:1), mas as alterações hiperplásicas teciduais e de glândulas sebáceas são mais frequentes em homens. Pode se apresentar em três estágios.

O rinofima é uma forma variante da rosácea, que acompanha o estágio III da doença. É a mais comum das suas fimas (no grego, inchaço, massa ou bulbo), acometendo majoritariamente homens. Outros fatores são idade maior do que 40 anos, alcoolismo, história familiar, antecedente de exposição solar prolongada, consumo de cafeína e alimentos que causam rubor facial. Desenvolve se em poucos pacientes, e é decorrente do aumento progressivo do tecido conjuntivo, glândulas sebáceas hiperplasiadas, ectasia de vasos na derme e inflamação crônica profunda, que acontece no decorrer dos anos.

Quatro variantes do rinofima são conhecidos: forma glandular (aumento nasal, por enorme hiperplasia lobular de glândulas sebáceas, com depressões, assimetria nasal e aumento da excreção de sebo à compressão), forma fibrosa (hiperplasia difusa do tecido conjuntivo, com hiperplasia sebácea variável), forma fibroangiomatosa (nariz vermelho, aumentado e edemaciado, coberto por vasos ectasiados, com pústulas) e forma actínica (semelhante ao elastoma em idosos, com nódulos de tecido elástico).

As cartilagens e áreas internas do nariz não são histologicamente acometidas, mas podem ser afetadas por ação mecânica.

Há relatos de coexistência de câncer no mesmo sítio anatômico.

O diagnóstico diferencial é feito com leucemia (lesões cutâneas específicas), lúpus eritematoso sistêmico, micose fungóide e acne rosácea graus 1 e 2.

Merecem destaque na evolução do tratamento Von Langenbeck (1851) e a ressecção com cicatrização por 2ª intenção; Ollier (1876) e a decorticação; Wood (1912), com enxerto de pele parcial; Adamoupoulos (1961) e a dermoabrasão; Nolan, e a criocirurgia; e finalmente Bohigian (1988), com o laser de CO2.

Objetivos

Os objetivos são destacar aspectos importantes da fisiopatologia do rinofima, doença muito estigmatizante, e apresentar alguns casos dessa patologia, tratados com eletrocauterização, avaliando o grau de satisfação dos pacientes com o resultado estético final e o impacto dessas condutas em suas vidas, dos pontos de vista psicológicos e sociais.

Visa, também, verificar a incidência de câncer nas peças cirúrgicas examinadas, e os índices de complicação pós cirúrgicos.

Método

Foi realizada uma revisão bibliográfica aprofundada em livros e artigos científicos atualizados e consagrados sobre rinofima, avaliando os principais aspectos clínicos e epidemiológicos envolvidos na sua fisiopatologia. Além disso, feito também um estudo tipo série de casos, retrospectivo, por análise de prontuários de sete pacientes, submetidos ao tratamento cirúrgico por eletrocauterização, entre 2001 e 2004.

Os pacientes foram operados em decúbito dorsal, com anestesia local e sedação. Após a antissepsia e assepsia com colocação de campos estéreis, foi realizado bloqueio local com solução composta por 20 ml de Xilocaína à 2%, 1 ml de Adrenalina à 1% e 80 ml de solução fisiológica 0,9% (ramos supratrocleares e infraorbitários) e infiltração global do nariz com a mesma solução.

Depois de aguardados aproximadamente 10 minutos (para efeito do vasoconstrictor), o tecido hiperplásico foi cuidadosamente removido com o bisturi elétrico na função corte (Blend 2), regulado corte- coagulação em 20, tomando se cuidado extremo para não atingir estruturas nobres, como cartilagens.

Terminado o procedimento, realizaram se os curativos abertos com sulfadiazina de prata. Os pacientes foram orientados a manter a aplicação da pomada 2x ao dia, por um período que variou de 7 a 15 dias, de acordo com a cicatrização de cada indivíduo, e evitar a exposição solar por pelo menos 6 semanas. A utilização do antibiótico tópico no pós e consultas constantes tinham como objetivo evitar (ou detectar precocemente) infecções que poderiam comprometer o resultado final.

 

Resultados

Todos os pacientes eram do sexo masculino, com idades entre 46 e 64 anos; 43% caucasianos e 57% pardos (3 e 4 indivíduos, respectivamente).

Não ocorreram recidivas, necessidade de reabordagem cirúrgica ou complicações, como hipopigmentação, hiperpigmentação ou cicatriz inestética. Nenhuma das peças cirúrgicas excisadas e analisadas por patologista apresentou células cancerígenas.

O índice de satisfação com o resultado estético final foi de 100%.

 

Discussão

O rinofima não compromete estruturas profundas, portanto, não se devem expor cartilagens para não comprometer resultados estéticos.

A doença não tem caráter maligno (salvo casos em que há associação com carcinoma), portanto não é pertinente utilizar condutas agressivas, como retalhos, que deixam cicatrizes.

Nenhum dos casos estudados se relacionou com a presença de câncer, porém alguns autores consagrados referem a coexistência entre as doenças. Churchil e Converse relataram casos de carcinoma basocelular associados, assim como Mathes, que apresentou índices positivos em até 30% das peças analisadas. Converse também apresentou casos de carcinoma espinocelular nas amostras.

Conclusão

O nariz, como estrutura central da face, é considerado por muitos autores o principal responsável pela harmonia da estética facial. O tratamento do rinofima possibilita o retorno dessa característica, trazendo grande satisfação para o paciente, com melhora considerável da autoestima, melhor aceitação da própria imagem e aperfeiçoamento das relações interpessoais, relatados pelos próprios indivíduos operados.

Existem diversas modalidades de tratamento para a patologia em questão, todas com resultados estéticos bastante satisfatórios. O que guia a escolha da melhor conduta é a experiência do cirurgião, que deve optar por aquela com a qual está mais adaptado.A utilização do eletrocautério, quando realizada com cuidado e por profissional habituado com a técnica, apresenta excelentes resultados cosméticos, com baixíssimo índice de sangramento no transoperatório e poucas complicações.

Deve se sempre realizar o exame histopatológico das peças cirúrgicas excisadas, devido ao risco de associação com doença carcinomatosa relatado por alguns autores.

 

Bibliografia

  1. Du Vivier, Anthony. Rosácea. Atlas de Dermatologia Clínica 4 ed. Rio de Janeiro. Saunders-Elsevier. 2014.
  2. Fitzpatrick, Thomas B. Alterações dos anexos epidérmicos e alterações relacionadas. Rosácea. Fitzpatrick Tratado de Dermatologia 5a ed. Vol.1.Rio de Janeiro. Revinter.
  3. Zanini AS, Carreirão S, Lessa S. Cirurgia do nariz. Rinologia e rinoplastia: funcional, reparadora e estética. Rio de Janeiro:Revinter;1994. p.89-94.
  4. Gunter JP, Rohrich RJ, Adams WP Jr. Dallas rhinoplasty: nasal surgery by the masters. 1st ed. St. Louis:Quality Medical Publishing;2002.