CELULITE: UMA ABORDAGEM PESSOAL DE TRATAMENTO CIRÚRGICO

Prof.Dr.Carlos Oscar Uebel
Professor Serviço de Cirurgia Plástica da PUCRS
Porto Alegre, RS
Email: carlos@uebel.com.br

Artigo original e inglês: Clique Aqui

RESUMO

A celulite é uma das condições mais comuns que afetam a pele e o subcutâneo dos quadris e coxas de mulheres apos a puberdade. Sua etiologia não é definida, mas tem sido associada com lipodistrofia e desordens metabólicas e estruturais que afetam o tecido subcutâneo.

O objetivo deste artigo é descrever uma técnica para tratamento da celulite da região glútea, coxas e quadris, através de lipoaspiração superficial com um tipo especial de cânula, combinando a lipoenxertia de gordura autóloga em plano subdérmico.

Cento e vinte e seis pacientes foram tratadas ao longo de 26 anos, no Serviço de Cirurgia Plástica do Hospital São Lucas da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil. Todos os pacientes foram submetidos à avaliação clinica pré-operatória, para avaliar a extensão da celulite. As fotografias de pré e pós-operatório foram obtidas para avaliação visual dos resultados.

Dentre os 126 pacientes, 121 (96%) eram mulheres e 5 (4%) eram homens. A maioria dos pacientes (115 – 91,2%) considerou seu resultado bom ou excelente. A incidência de complicações pós-operatórias foi baixa, sendo a mais comum delas a equimose (n=12; 9,5%), recorrência parcial de celulite (7%), irregularidades de contorno, seroma e dormência.

Nós descrevemos um método efetivo para tratamento cirúrgico da celulite. Enquanto as técnicas para subcisão tradicional utilizam uma agulha para o enfraquecimento do tecido para cortar o septo, nós utilizamos uma cânula desenvolvida para este uso. Alem disso, as áreas tratadas são maiores que a subcisão. O uso de enxerto de gordura para corrigir as depressões e melhorar a qualidade da pele também adiciona benefícios a esta técnica quando comparada a subcisão tradicional. Considerando-se os múltiplos tratamentos para celulite encontrados na literatura e suas limitações e considerando-se o alto índice de satisfação dos pacientes e o baixo índice de complicações e de recorrência, esta técnica pode ser considerada uma opção segura e efetiva para o tratamento estético de pacientes que se sentem incomodados com o aspecto de sua celulite.

INTRODUÇÃO

A celulite, também conhecida como lipodistrofia ginecóide, paniculopatia fibroesclerotica edematosa ou lipodistrofia localizada, é uma condição anatômica e metabólica localizada no tecido celular subcutâneo que provoca mudança no contorno corporal, causando uma aparência inestética conhecida como “pele em casca de laranja” ou “deformidade em queijo cottage”.

Fig. 1 – Paciente jovem de 26 anos com celulite intensiva nas coxas

A exata etiologia, bem como os métodos diagnósticos para celulite, não são bem definidos. Ocorre um acúmulo de gordura durante a puberdade na região dos quadris, coxas e glúteos. A pele apresenta mudanças que variam de aparência em casca de laranja a ondulações, com escavações transversais, nodularidade e dobras cutâneas. A celulite e a lipodistrofia são comumente concomitantes, especialmente na região glútea e coxas, causando irregularidades superficiais (1). Apesar de ser uma situação que causa incomodo nos pacientes, ela não é considerada uma doença e não acarreta morbidade ou mortalidade. Aproximadamente 85-90% das mulheres pós-púberes são afetadas (2-3).

Os homens podem ser atingidos também, porém em proporções bem menores, devido à menor quantidade de adipócitos no tecido masculino quando comparado ao feminino (4).

Muitos pacientes optam por tratamentos não invasivos ou minimamente invasivos para o tratamento da celulite, tais quais:

Cremes e tratamentos tópicos

Entre os ingredientes ativos usados em cremes para celulite estão extratos vegetais, como ginko biloba – que ajuda a estimular a microcirculação –  e retinol – que estimula a síntese de colágeno. Ambos demonstraram clinicamente uma redução significativa da celulite quando aplicados topicamente. As Xantinas, como a cafeína, extratos de ervas, retinoides e receptor ativado proliferativo de peroxissomo, são todos tratamentos tópicos para celulite que diminuem a adipogênese, aumentam a termogênese, a síntese de colágeno e melhoram a microcirculação (6,7).

Drenagem Linfática

Persiste controversa a eficácia da massagem local ou drenagem linfática para a melhora do aspecto da celulite. Embora a retirada de fluídos do interstício melhore a aparência da celulite (2), um recente ensaio clinico não mostrou beneficio na melhora da condição, embora cause bem–estar ao paciente (8).

Endermologia

ESI (LPG Systems, Valens, France) é um método não farmacológico que emprega meios mecânicos para mobilizar a gordura subcutânea da área afetada, com alto custo e com escassez de evidências para melhoria da celulite. Os defensores do sistema defendem que a massagem aliada a sucção melhoram a gordura subcutânea e aceleram a drenagem linfática.

Ultrassom

Através de seu efeito térmico e vasodilatador, o ultrassom induz lipólise e redução da gordura localizada. A quebra dos adipócitos ocorre induzida por cavitação e dano térmico. Embora ele seja útil quando usado em adjuvância a outros métodos de tratamento para celulite, sua eficácia quando usado sozinho não foi provada. Alem disso, não se sabe se as alterações estruturais provocadas por ele são de longa duração (5).

Radiofreqüência

A radiofreqüência também mostrou resultados cosméticos positivos. A aplicação desse método tem o objetivo de manter a temperatura da epiderme entre 40-42 graus Celsius. Os resultados mostraram durabilidade de pelo menos 6 meses (9). Os sistemas da RF são baseados na geração de calor. A temperatura atingida é suficiente para causar danos térmicos ao tecido adiposo circundante e aos septos do tecido conjuntivo. A combinação da radiofrequência bipolar, calor infravermelho e sucção pulsátil em um sistema demonstrou diminuir a circunferência corporal e melhorar a aparência da celulite (10).

Laser lipólise

O tratamento da celulite com um laser de comprimento de onda 1440nm mostrou melhora clinica e indução de neocolagênese (11-13). Estudos histológicos mostraram os efeitos do laser, incluindo ruptura de adipócitos, reorganização da derme reticular e coagulação do colágeno e do tecido adiposo (14-16). A lipoaspiração assistida por laser de comprimento de onda entre 1064-1320 nm é frequentemente utilizada para tratar celulite, pois leva a um espessamento da pele. A lise da membrana do adipócito feita pela energia do laser reduz o trauma da retirada de gordura e aumenta a coagulação venosa, levando a uma menor incidência de hematomas e equimoses e a uma rápida recuperação.

Mesoterapia

A mesoterapia consiste na aplicação de múltiplas substâncias no tecido celular subcutâneo com o objetivo de dissolver gordura, embora os estudos não tenham mostrado resultados consistentes deste tratamento. Múltiplas substâncias tem seu uso proposto tais como cafeína, aminofilina e teofilina, que levam a lipólise através da inibição da fosfodiesterase e aumentam os níveis de adenosina monofosfato. Hormônios, enzimas, extratos de ervas, vitaminas e minerais também são usados. Além disso, a fosfatidilcolina (um extrato da lecitina de soja) é comumente utilizada devido ao seu efeito lipolítico secundário à ativação do receptor beta-adrenérgico.
Apos a injeção subcutânea de fosfatidilcolina, paniculite lobular, necrose gordura e lipoatrofia serosa têm sido vistos. O uso da mesoterapia foi limitado devido à falta de esquemas de tratamentos padronizados (18), resultados erráticos e ao risco de efeitos locais adversos como edema, equimoses, nódulos subcutâneos, infecção, urticária e irregularidades da pele (9).

Carboxiterapia

Carboxiterapia envolve a injeção de dióxido de carbono no tecido subcutâneo, com o objetivo de afetar o tecido adiposo e circulação. Seu suposto mecanismo de ação é através de um aumento no fluxo sanguíneo capilar induzido por hipercapnia e uma diminuição do consumo cutâneo de oxigênio (desvio à direita da dissociação de oxigênio curva ou efeito de Bohr). Isso pode ajudar a explicar sua efeitos positivos na lipólise. 19

Subcision

Originalmente descrita para o tratamento de cicatrizes de acne e pequenas áreas de ondulação da pele (20), a subcision ou subcisão é uma técnica em que uma agulha é inserida no tecido subcutâneo; quando seu ponto mais profundo é alcançado (aproximadamente 1,5-2 cm de profundidade), a agulha é redirecionada em direção paralela / tangencial para a epiderme e varre a área, com o objetivo de cortar septos fibrosos ao nível subdérmico (derme reticular), para melhorar a área afetada pela celulite e depressão por cicatrizes retraídas (21-22). Melhora da aparência de áreas afetadas também podem ser devido, em parte, à redistribuição de forças de tensão no tecido subcutâneo (23).
Dor e equimoses podem ocorrer pós-tratamento, mas os resultados são satisfatórios na maioria dos pacientes (24). Recentemente, um novo sistema guiado de subcisão de tecido (Cellfina, Merz North America, Inc., Raleigh, Carolina do Norte) foi aprovado pelo FDA para melhoria a longo prazo na celulite das coxas e nádegas, com seguimento aos 3 anos demonstrando melhora consistente na satisfação do paciente (93% “satisfeito” ou “Muito satisfeito” em 3 anos em relação à linha de base, bem como na escala de severidade da celulite – Cellulite Severity Scale and Physician Global Aesthetic Improvement Scores (25)).

Cirurgia

Múltiplos avanços na lipoaspiração melhoraram os resultados desde sua introdução por Illouz na década de 1980 (26-30). Dois dos métodos mais comuns de lipoaspiração são a lipoaspiração convencional , que diminui a gordura subcutânea mais profunda, e lipoaspiração superficial, descrito por Bolívar de Souza Pinto et al (31) e posteriormente por Gasparotti (32), realizada perto da derme, que libera os septos fibrosos subcutâneos. A Infiltração tumescente e a lipoaspiração com diâmetros de cânula menores trouxeram uma nova dimensão, permitindo a aspiração de grandes volumes de gordura com elevada precisão.
Lipoaspiração assistida por ultra-som (Vaser, Solta Medical, Inc., Hayward, CA) demonstra aumento da retração da pele e, quando utilizado com uma cânula de corte (VaserSmooth), pode ser um tratamento eficaz para áreas de celulite, com diminuição da perda de sangue em comparação com a lipoaspiração tradicional (33). Embora a lipoaspiração seja um excelente método para melhorar contorno corporal, alguns autores alertam sobre uma possível aumento das irregularidades da pele após a lipoaspiração tradicional. Portanto, a lipoaspiração convencional ainda não é um padrão de tratamento para celulite.
Em parte, isso pode ser porque o tecido adiposo da celulite é muito superficial, com apenas um camada dérmica sobrejacente muito fina (9). A lipoaspiração realizada muito perto da superfície da pele pode resultar em irregularidades e um resultado cosmético pobre, especialmente quando executado por cirurgiões não treinados. No entanto, quando associado com lipoenxertia autóloga das áreas afetadas, que possuem espaços mortos significativos, a lipoaspiração pode melhorar os resultados e resultar em excelente satisfação dos pacientes com celulite.

MÉTODOS

Os pacientes foram selecionados no departamento de Cirurgia Plástica do Hospital São Lucas, na Pontifícia Católica Universidade do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, Brasil,  entre janeiro de 1991 e abril de 2017. Os pacientes eram incluídos se satisfizessem os seguintes critérios: celulite das coxas, nádegas, quadris ou região trocantérica; idades de 16 e 65 anos e índice de massa corporal (IMC) de 21-35kg/m2.
Pacientes submetidos a outros tipos de tratamento para celulite (com o exceção de cremes tópicos) foram excluídos. Todos os pacientes foram avaliados no pré-tratamento quanto a sua distribuição de gordura corporal (1 = coxas; 2 = nádegas; 3 = quadris; e 4 = trocanterianas regiões) e sua qualidade de pele (1 = boa e elástica; 2 = boa e menos elástica; e 3 = pobre e com flacidez). Foram padronizadas fotografias pré e pós-tratamento. As mesmas foram utilizadas para a avaliação visual dos resultados e foram avaliados subjetivamente aos 18 meses pós-tratamento pelo autor principal (C.U.) e outros 3 cururgiões plásticos membros da equipe. O resultado estético foi avaliado com uma escala (1 = excelente; 2 = bom; e 3 = pobre) e a satisfação do paciente foi avaliada com um questionário simples (1 = muito satisfeito; 2 = satisfeito, mas poderia ser melhor; e 3 = insatisfeito), que foi completado anonimamente no ambulatório de nossa divisão na consulta de 18 meses pós-tratamento.
Todos os pacientes assinaram um consentimento informado de acordo com o protocolo da nossa instituição para cirurgia e publicação. O estudo foi conduzido em acordo com a Declaração de Helsinque para pesquisa envolvendo seres humanos e aprovado pelo Hospital São Lucas da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.

TÉCNICA CIRÚRGICA

Após a anestesia geral ou bloqueio epidural, escolhidos conforme a preferência do anestesiologista e do paciente, o paciente é posicionado em pronação e todas as áreas a serem tratadas são preparadas com solução de clorexidina.
Infiltração tumescente com epinefrina 1: 500.000 e solução salina a 0,9% é realizada no tecido subcutâneo das coxas, nádegas, quadris e regiões trocantericas. Aguardamos 10 minutos para permitir vasoconstrição adequada e coletamos aproximadamente 240 ml de gordura dos quadris ou áreas trocantéricas (Figura 2) utilizando uma seringa ligada a uma cânula de 3 mm de diâmetro. Não é realizada centrifugação ou outro processamento da gordura.

Fig. 2 – É usada uma seringa de 60cc para coletar gordura localizada dos quadris e nádegas

Na segunda etapa, realizamos uma lipoaspiração superficial utilizando uma cânula de 3 mm concebida pelo autor principal com uma ponta achatada em forma de cunha, similarmente a um “bico de pato ”(Figura 3).

Esta cânula rompe os ligamentos fibrosos conectivos, libertando assim a pele do tecido subcutâneo (Figura 3). Em contraste com uma tradicional técnica de subcision, em que uma lâmina ou agulha agudamente corta através do nível subdérmico (potencialmente cortando vasos que suprem a pele sobrejacente), a manobra que realizamos utilizando lipoaspiração superficial limita os danos aos vasos sanguíneos subdérmicos. Nós acreditamos que isso é importante para manter a pele bem vascularizada, evitando o risco de necrose que poderia ocorrer com extensas áreas de enfraquecimento.

Nós também sentimos que manter os vasos sanguíneos subdérmicos e subcutâneos intactos quanto possível pode aumentar a adesão da gordura enxertada. Um “pinch test”confirma o grau de frouxidão da pele (Figura 4).

 

Fig. 3 – Esta cânula possui uma ponta achatada e pontiaguda, semelhante a um “bico de pato” para romper as fibras fibro-elásticas

 

 

Fig. 4 -. É realizada uma lipoaspiração superficial em todas as áreas com celulite com cânula de 3mm. O teste de pinça confirma a perda da gordura.

 

O terceiro passo é reinjetar uma camada fina da gordura coletada por via subcutânea. Nós distribuímos delicadamente a gordura enxertada em todas as áreas onde realizamos a cirurgia de rompimento dos septos do tecido conjuntivo, mantendo uma camada de gordura subcutânea com espessura aproximada 5 mm a 8 mm (figura 5). Finalmente, aplicamos fitas de papel de 5 cm de largura (Micropore, 3M Health Care, St. Paul, MN) para diminuir o edema e ajudar manter a gordura enxertada no lugar. Esta fita é mantida no lugar por 3 semanas (Figura 6) e uma roupa de compressão é colocada no final da cirurgia. Após 3 semanas, removemos as tiras (Figura 7) e o paciente é orientado a manter a roupa de compressão por mais um mês.

 

Fig. 5. A gordura da colheita é reinjetada subdérmica produzindo um recheio de cerca de 3-5 mm de espessura

 

Fig. 6 – Micropore® 5 cm é aplicado em toda área cirúrgica por 15 dias

 

Fig. 7 – Após 20 dias as tiras anexas são removidas do lado esquerdo e direito

RESULTADOS

Os procedimentos foram realizados em 126 pacientes com mais de 26 anos (Tabela 1). As mulheres compuseram 96% (121 pacientes) dos pacientes, e os homens 4% (5 pacientes). Todos os pacientes eram brancos. A média de idade dos pacientes foi de 29 anos (intervalo 17-58 anos). A média do IMC foi de 27,1 kg / m2 (intervalo, 24-33 kg / m2). O tempo médio de seguimento foi 38 meses (variação de 18-110 meses). Em relação à distribuição de celulite, os quadris foram mais freqüentemente afetados (88,8%), seguido pelas coxas (76,1%), nádegas (71,4%) e região trocantérica (53,1%). Nove pacientes (7%) necessitaram correções adicionais devido a irregularidades da pele e retrações ou recorrência parcial da celulite. Essas correções foram realizadas sob anestesia local e sedação com lipoaspiração e lipoenxertia (Figura 8).

 

Fig. 8 – Pré e pós-operatório de 2 anos do lado esquerdo em repouso e compressão digital

A equimose foi a complicação mais comum (12 pacientes; 9,5%), com duração média de 3 a 4 semanas; pacientes foram orientados que haveria reabsorção com massagem com cremes e uso de protetor solar. Houve 2 casos (1,5%) de seromas de pequeno volume (15 ml e 10 ml), que foram tratados com aspiração simples na consulta de uma semana de pós-operatório. Ambos os seromas ocorreram em mulheres com IMC normal. Um desses casos teve uma causa identificável, porque a fita de compressão e a roupa do paciente eram curtas e, portanto, não comprimiram toda a área da coxa que havia sido tratada (Figura 9).

 

Fig. 8 – Pré e pós-operatório de 2 anos do lado esquerdo em repouso e compressão digital

 

 

Segundo a avaliação das fotografias aos 18 meses de pós-tratamento pelo autor principal e 3 membros da equipe de cirurgia plástica do nosso departamento, os resultados foram bons a excelentes, especialmente em pacientes jovens e com boa elasticidade da pele. Oito pacientes (6,3%) tinham mais de 50 anos, dois (1,5%) dos quais desenvolveram flacidez pós-tratamento, que melhorou com drenagem linfática manual duas vezes por semana durante 45 dias. A maioria dos pacientes descreveram-se “muito satisfeitos” com seus resultados.

Fig. 9 – Paciente do sexo feminino, 29 anos, submetida a tratamento cirúrgico da celulite das coxas. (A) Apresentou um seroma de coxa esquerda, em área não-comprimida, no 7º dia de pós-operatório. (B) Resolveu após duas aspirações de 15 cc de líquido serossanguinolento. Este caso ocorreu no início de nossa experiência e ilustra a importância da compressão pós-operatória adequada.

 

Fig. 10 – Uma mulher de 28 anos, a mesma paciente das Figuras 1 e 7 . (A, C) Pré-operatório e (B, D) dois anos de pós-operatório vistas de sua coxa esquerda.

 

Fig. 11 – Uma mulher de 28 anos, a mesma paciente das Figuras 1 , 7 e 10 . (A, C) Pré-operatório e (B, D) 2 anos de pós-operatório vistas de sua coxa direita.

 

Fig. 12 – Uma mulher de 35 anos com celulite das coxas. (A, C) Pré-operatório e (B, D) pós-operatório em 32 meses. (E) vistas intraoperatórias demonstrando lipoaspiração superficial. (F) Teste de pinça confirmando a liberação adequada de amarras na pele. (G) Micropore e uma compressa são aplicados (H) para reduzir o edema pós-operatório e manter a gordura enxertada no lugar.

 

Fig. 13 – Uma mulher de 46 anos com severa celulite das coxas. (A) Pré-operatório e (B) fotografias pós-operatórias de 3 anos da coxa direita.

 

Fig. 14 – Uma mulher de 32 anos com severa celulite das coxas. (A, C) Pré-operatório e (B, D) 30 meses de pós-operatório.

DISCUSSÃO

A celulite é uma alteração topográfica da pele que é quase universalmente presente em mulheres pós-púberes e é definida como distúrbio metabólico e estrutural localizado no tecido subcutâneo, causando alterações no contorno corporal. Avaliação da gravidade da celulite pode ser realizada através de medidas antropométricas, fotografia, bioimpedância, termografia, fluxometria por Doppler, ultrassonografia bidimensional de alta resolução, ressonância magnética (RM) e biópsia de pele com exame histopatológico (34-38). O tecido adiposo subcutâneo é composto por duas camadas: a primeira, que é mais superficial, contém glóbulos de gordura compactados e grande quantidade de septos fibrosos; a segunda é a camada de gordura mais profunda, que contém bolsas amorfas e irregulares de gordura. A celulite apresenta-se na interface da derme com a gordura subcutânea superficial e possui uma estrutura anatômica complexa. As protuberâncias e depressões cutâneas relacionadas ao ganho de peso são formados na camada adiposa mais profunda (39).

As elevações irregulares da pele são causadas pela combinação de bandas septais apertadas com o tecido adiposo herniado (40,41). Além dessas alterações, as células adiposas que estão contidas dentro do perímetro desta área podem expandir com a reabsorção de água, levando ao estiramento do tecido conjuntivo. Este tecido conectivo pode se contrair e tornar-se espesso, ancorando a pele de maneira inflexível, enquanto o tecido circundante continua a se expandir com o ganho de peso ou de água. Esta expansão resulta em ondulações da pele e uma aparência de casca de laranja. Compondo o problema, fibrose ocorre devido à proliferação de fibroblastos ao redor das células adiposas e está associado a agravamento da circulação periférica e falha metabólica no tecido normal circundante. Isso, por sua vez, piora o insuficiência metabólica no tecido adiposo e leva a fibrose nos tecidos circundantes (42-45).

Vários fatores podem desempenhar um papel no surgimento de celulite. As alterações hormonais parecem ser muito importantes, especialmente durante a adolescência. O estrogênio estimula a proliferação de fibroblastos; aumenta a pressão intersticial, levando a edema; altera o colágeno, levando à formação de septos no tecido conjuntivo, e estimula a lipogênese.

São fatores de risco o sexo feminino, etnia branca e biotipo ( distribuição de gordura corporal). Mulheres latinas apresentam mais celulite nos quadris, enquanto as mulheres do norte de origem européia tendem a ter mais celulite abdominal. O envelhecimento leva a uma redução da espessura da pele e diminuição da elasticidade, exacerbando a topografia da celulite, e, eventualmente, tornando a doença quase imune a múltiplos métodos de tratamento (5).

Múltiplas alterações estruturais ocorrem na derme. Deficiência da microcirculação, produção do hormônio proteico vasodilatador adiponectina pelo tecido subcutâneo, bem como alterações nos adipócitos, são fatores que levam a estes alterações (44). Estas alterações podem estar associadas à insuficiência venosa, compartilhando sinais e sintomas como telangiectasias, micro-hemorragias, parestesias, dor a palpação e diminuição da temperatura local da pele (1).

Transtornos emocionais, incluindo situações estressantes e medicamentos como estrogênios exógenos, anti-histamínicos e betabloqueadores, podem levar à formação de celulite através de um aumento na lipogênese. Elevados níveis de prolactina e insulina, bem como uma diminuição da retorno venoso devido ao aumento uterino com pressão resultante na veia cava inferior, observada na gravidez, pode também exacerbar a celulite.

Inúmeros métodos de tratamento são atualmente utilizados na celulite, com resultados variáveis, embora a maioria não tenha evidência de eficácia (45). Estes resultados imprevisíveis podem estar relacionados às diferenças fisiológicas e bioquímicas entre o tecido subcutâneo normal e o tecido adiposo tecido encontrado em áreas de celulite (5).

O tratamento deve ser acompanhado pelo controle de fatores predisponentes, incluindo uma dieta balanceada (baixa em carboidratos), exercícios e, preferencialmente, o uso de métodos contraceptivos não hormonais. A maioria dos pacientes de nossa série encontrava-se entre 24 e 36 anos de idade. Embora muitos pacientes não tenham celulite em repouso, a maioria reclamou do aumento da aparência de celulite e ondulação da pele quando sentado ou cruzando suas pernas, o que pode dificultar a sua capacidade de usar uma saia, por exemplo. No pós-tratamento, comentários comuns como “Poder usar biquíni” ou “não preciso mais usar maiôs ”são ilustrativos de melhorias subjetivas, mas importantes na auto-estima do paciente e no bem estar geral.

Todos os nossos pacientes eram brancos e com dietas ricas em carboidratos e gorduras, e com uma ingestão geralmente alta de sal, levando à retenção de líquidos, com edema de células adiposas e subsequente agravamento da celulite. Pacientes com dietas pobres em fibras têm um aumento na incidência de constipação, levando a um aumento na resistência vascular periférica, estase venosa e aumento da permeabilidade capilar. Tudo isso pode piorar a celulite. Assim sendo, todos os pacientes foram instruídos a manter o acompanhamento com nutricionista no período pós-tratamento para ajudar a manter uma dieta balanceada com níveis adequados de proteínas, gordura e carboidratos. Os pacientes também foram orientados a manter 150 minutos de atividade física moderada por semana, de acordo com as diretrizes da American Heart Association (AHA).

Um estilo de vida sedentário leva à diminuição da massa muscular e maior flacidez, com maior proporção de tecido adiposo, agravando a celulite. Embora a celulite não seja específica para pacientes com excesso de peso ou obesos, o ganho de peso pode exacerbar a condição. Histologicamente, a perda de peso leva a uma retração da gordura dos glóbulos de dentro da derme de volta para a camada subcutânea (47). Em um estudo de pacientes que perderam grandes quantidades de peso através de cirurgia bariátrica, medicação ou modificações na dieta e estilo de vida, a maioria dos pacientes apresentou melhora na celulite, embora alguns pacientes paradoxalmente foram encontrados tendo um agravamento da sua condição. Segundo os autores, alguns pacientes tiveram piora da celulite devido a alterações irreversíveis na arquitetura da derme.

Roupas apertadas, salto alto e períodos prolongados na mesma posição levam a estase venosa e possível agravamento da celulite. Fumar leva a mudanças na microcirculação e diminuição dos níveis de oxigênio nos tecidos, bem como formação de radicais livres. O consumo exagerado de álcool aumenta a lipogênese, exacerbando também a celulite (1).

O procedimento que descrevemos aqui é diferente das técnicas anteriores de subcisão publicadas, nas quais apenas depressões localizadas ou retrações são tratadas (48). Incluímos amplas áreas e liberação de septos fibrosos com uma cânula e posterior enxerto de gordura para suavizar o suporte estrutural do tecido subcutâneo. Uma das vantagens da nossa técnica em comparação com subcisão tradicional é que áreas maiores podem ser tratadas, embora reconheçamos que as técnicas que são potencialmente menos dependente do operador, como a lipoaspiração a laser, podem ser mais fácil de aprender, com o benefício adicional de produzir maior retração da pele, mas com a necessidade de um investimento no equipamento.

A lipoaspiração pode ser menos traumática para os vasos sanguíneos em comparação com o corte da derme reticular realizado durante a subcisão (23). Nós achamos que o suprimento de sangue para a pele sobrejacente permanece mais robusto, diminuindo o risco de necrose da mesma, especialmente considerando o extenso descolamento que realizamos. Além disso, acreditamos que a melhora da celulite da nossa técnica deriva não só da quebra de septos, como ocorre na subcisão tradicional, mas também devido ao enxerto de gordura (49), que introduz células tronco de tecido adiposo que podem ajudar a melhorar o tecido local subcutâneo e qualidade da pele, como foi demonstrado em vários estudos com enxerto de gordura para cicatrizes, úlceras e queimaduras. O enxerto de gordura também atua como um alicerce, em torno do qual o tecido subcutâneo se reorganiza; os resultados sustentados a longo prazo da nossa séries parecem corroborar essa hipótese.

Limitações

As limitações do nosso estudo incluem a natureza subjetiva da avaliação dos resultados cosméticos e ser baseado em uma série retrospectiva de casos. Além do autor principal, três cirurgiões plásticos de nossa divisão também avaliaram as fotografias de pré-tratamento e pós-tratamento. Além disso, deve-se notar que a lipoaspiração superficial é uma técnica mais avançada, com o risco de deixar irregularidades significativas e isquemia / necrose da pele se realizado por um cirurgião inexperiente. Este procedimento foi incorporado na formação dos residentes da nossa divisão, ao quais primeiro é ensinado a lipoaspiração profunda tradicional antes de ser permitido realizar lipoaspiração superficial.

CONCLUSÃO

Durante os últimos 26 anos, utilizamos uma combinação de lipoaspiração superficial e lipoenxertia para tratamento de deformidades causada pela celulite, e obtivemos resultado seguro, previsível e reprodutível. As principais vantagens deste procedimento são um alto nível de satisfação do paciente, sustentado resultados após um longo período de acompanhamento e uma baixa incidência de revisão cirúrgica e complicações pós-tratamento.

 

CONFLITOS DE INTERESSE

Nao ha conflito de interesse do Autor Senior e demais autores.

 

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