MAMA EXTRANUMERÁRIA

Resumo

Os autores apresentam os aspectos embriológicos, etiopatogênicos e o tratamento cirúrgico das mamas extranumerárias. Analisam 11 ( onze ) casos de anomalia, tratados pelo autor sênior, classificando-os de acordo com o tecido mamário ectópico encontrado. A cirurgia é sempre indicada pelo risco de malignização. Alguns aspectos da técnica operatória são apresentados.

 

RESUMO

Os autores apresentam os aspectos embriológicos, etiopatogênicos e o tratamento cirúrgico das mamas extranumetárias. Analisam 11 ( onze ) casos de anomalia, tratados pelo autor sênior, classificando-os de acordo com o tecido mamário ectópico encontrado. A cirurgia é sempre indicada pelo risco de malignização. Alguns aspectos da técnica operatória são apresentados.

 

INTRODUÇÃO

As mamas extranumerárias têm importância em patologia mamária, não só pela possibilidade de sofrerem transformação maligna, mas também pelo desconforto e pelo aspecto desgracioso que conferem ás pacientes , em razão do aumento de volume na região axilar, local mas freqüente da patologia.

 

CONSIDERAÇÕES EMBRIOLÓGICAS

Num embrião de 7 (sete) semanas, observamos um espessamento da epiderme,  formando uma linha que se estende de cada lado do corpo, desde a axila até a raiz do seu membro inferior, chamada linha mamária, Williams, no seu esquema clássico, representa nesta linha, 7 (sete) pares de glândulas primitivas, situadas 3 (três) proximamente e 3 (três) distalmente ao mamilo normal. ( Figura 1 ).

 

Fig 1-  Linha mamária formada por espessamento da epiderme dispostos em linha, da axila ao púbis.

 

Com o crescimento do embrião, apenas 1 (um) par se mantém na região média. A não involução dos brotos primitivos originam mamas accsessórias. Darwin procurou explicar mamas accessórias pela teoria do atavismo, que se por um lado justifica as mamas extranumerárias ao longo da linha mamária ( mesmo as localizadas na vulva ), não explica as de outras situações como na face e no dorso. Outros, como Schultze, acreditam que inicialmente a linha mamária teria localização dorsal, passando com o crescimento a uma posição mais anterior. Burger e Marcuse acreditam que as glândulas mamárias accessórias, situadas nas nádegas, cabeça, pescoço e vulva, seriam glândulas sudoríparas modificadas.

 

INCIDÊNCIA

A maioria dos autores admite um freqüencia de 1/500 nascimentos; De Cholnoky admite na população caucasiana uma incidência de 1 a 2%;  na raça amarela parece elevar-se a porcentagem de 5%.

O estudo de 11 (onze) casos, examinados e tratados pelo autor sênior, de mamas extranumerárias permitiu, de acordo com a natureza e desenvolvimento do tecido mamário ectópico encontrado, classificá-las em:

1 – Politelia: aumento do número de mamilos.

2 – Tecido mamário aberrante: glândula presente sem mamilo e/ou aréola.

3 – Polimastia: mama accessória completa com mamilo, aréola e glândula.

 

Dentro desta classificação, a incidência dos casos estudados foi a seguinte.

 

Direita Esquerda Bilateral Total
Mama aberrante

Mamilo extranumerário

Mama extranumerária

3

2

1

2

1

1

0

1

0

5

4

2

6 4 1 11

 

A localização mais freqüente (Figura 2) para as mamas aberrantes foi a axilar.

 

Fig. 2– A  localização axilar é a mais frequente nas mamas aberrantes

 

 

SINTOMATOLOGIA

O desconforto na região axilar, o aumento de volume durante os ciclos menstruais e dor, foram as queixas mais comuns nas portadoras de mamas aberrantes, sendo que duas destas pacientes só notaram a anomalia ao iniciarem a lactação. Em outra paciente, a intercorrência de mastite e abscesso é que motivou a consulta. Deve-se lembrar porém que, estando presente tecido glandular, esta estará sujeita a qualquer patologia inerente ao tecido mamário normal, como adenofibromas, cistos e degeneração maligna.

A cirurgia está indicada em todos os portadores desta anomalia, já que a incidência de malignização é maior do que na mama normal, mormente quando de localização axilar, pois está sujeita a constantes atritos.

 

OPÇÕES CIRÚRGICAS 

1 –  Nas mamas aberrantes e polimastias, após a exposição do campo operatório, o membro superior em abdução afasta o “tumor” da mama normal, facilitando a colocação da incisão de pele externamente, ao longo de uma prega flexão (Figura 3 ), desloca-se e resseca-se o tecido glandular ectópico. O excesso de pele é ressecado após delimitação com a pequena pinça de marcação de Pitanguy . Fechamento em dois planos, dreno e Penrose ( que é retirado em 24 horas), curativo compressivo.

2 – Nas politelias, faz-se incisão fusiforme, seguindo as linhas de mínima tensão.

 

     Fig. 3- Incisão sobre a “tumoração”’ e ao longo da prega de flexão.

 

Figs 4, 5 – Polimastia: mama accessória completa esquerda.

 

Figs. 6, 7 – Mama ectópica localizada na axila esquerda.

 

Fig. 8 –  Intraoperatório: ressecção do tecido ectópico axilar.

 

Figs. 9,10 – Pré operatório , mama aberrante axilar direita .

 

Figs. 11,12,13 –  Pós-operatório. Mesma paciente após ressecção do tecido ectópico da mama extranumerária.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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