Relato de Caso de Reconstrução Nasal em Paciente com Carcinoma Basocelular

Resumo

O Carcinoma basocelular (CBC) é o câncer de pele mais comum, sendo o subtipo nodular o de maior incidência. A modalidade terapêutica padrão ouro de tratamento é a exérese cirúrgica, devido a sua facilidade de execução e alta efetividade. Em pacientes com lesões nasais complexas como a do caso relatado no presente artigo, a exérese e reconstrução nasal por meio de confecção de um retalho, além de ser um tratamento potencialmente curativo, pode proporcionar alta satisfação com o resultado estético ao paciente.

Introdução

O CBC é o câncer de pele mais comum. Surge a partir da camada basal da epiderme e de seus apêndices. O CBC pode ser localmente invasivo, porém invasão linfonodal e metástases à distância costumam ser raras. Ocorre mais comumente em indivíduos caucasianos, sendo a incidência em homens 30% maior que em mulheres, principalmente o subtipo superficial. [1,2,3]. Sua incidência aumenta com a idade, sendo que indivíduos entre 55 e 75 anos têm uma incidência cerca de 100 vezes maior do que aqueles com menos de 20 anos.[4]

O principal fator de risco para desenvolvimento do CBC é a exposição aos raios ultravioletas, especialmente na infância. Outros fatores são exposição crônica ao arsênico, irradiação terapêutica, imunossupressão e síndrome do nevo basocelular.

Cerca de 70% dos CBCs ocorrem na face, 15% no tronco e raramente em áreas como pênis, vulva e períneo. Os CBCs podem ser subdivididos em 3 grupos histológicos: nodular (60%), superficial (30%) e esclerodermiforme (5-10%). Vários outros subtipos foram descritos como o carcinoma de células basoescamoso, forma rara e agressiva. Ambos os CBCs nodulares e superficiais podem produzir pigmentos, sendo denominados CBCs pigmentados. [5,6]

As principais modalidades terapêuticas do CBC são tratamento tópico com imiquimod ou fluoracil, terapia fotodinâmica, radioterapia e excisão cirúrgica. A excisão cirúrgica pode ser considerada o “padrão ouro” no tratamento do CBC, sendo que alguns autores indicam a cirurgia micrográfica de Mohs como o procedimento de escolha para subtipos de maior agressividade. [7,8]

 

Objetivo

Relatar o caso de um paciente com diagnóstico de CBC em ponta e asa nasal à direita submetido a exérese da lesão e reconstrução nasal em somente um tempo cirúrgico.

 

Materias e Métodos

Realizada revisão do prontuário médico e registros fotográficos do caso relatado.

 

Relato de caso

Paciente masculino de 51 anos, com história de lesão em topografia de asa e ponta nasal direita há 2 anos. Foi submetido à biópsia incisional em 01/11/2010 cujo diagnóstico histopatológico foi positivo para CBC. O paciente foi submetido à exérese e reconstrução nasal por meio de retalho de transposição nasogeniano com pedículo superior em 24/11/2010. O diagnóstico anatomopatológico confirmou CBC com margens cirúrgicas laterais e profunda livres de neoplasia. O paciente apresentou boa evolução pós operatória com cicatrização adequada e sem evidência de recidiva em seguimento ambulatorial dos últimos 3 anos.

 

Conclusão

Neste paciente o retalho de transposição nasogeniano com pedículo superior propiciou uma adequada preservação da função nasal, haja visto a preservação da válvula externa.  A evolução pós operatória mostrou um resultado estético e funcional adequados o que fez o paciente optar por não complementação estética.

 

Registros Fotográficos

                

Pré-operatório                                                    Pré-operatório

                  

Trans-operatório                                          Trans-operatório

                   

6 meses                                                           6 meses

                   

1 ano                                                                1 ano

Referências Bibliográficas

1. Hannuksela-Svahn A, Pukkala E, Karvonen J. Basal cell skin carcinoma and other nonmelanoma skin cancers in Finland from 1956 through 1995. Arch Dermatol 1999; 135:781.

2. Green A, Battistutta D, Hart V, et al. Skin cancer in a subtropical Australian population: incidence and lack of association with occupation. The Nambour Study Group. Am J Epidemiol 1996; 144:1034.

3.  Chuang TY, Popescu A, Su WP, Chute CG. Basal cell carcinoma. A population-based incidence study in Rochester, Minnesota. J Am Acad Dermatol 1990; 22:413.

4. Scotto J, Fears TR, Fraumeni JF Jr, et al. Incidence of nonmelanoma skin cancer in the United States in collaboration with Fred Hutchinson Cancer Research Center. NIH publication No. 83-2433, U.S. Dept. of Health and Human Services, Public Health Service, National Institutes of Health, National Cancer Institute, Bethesda, MD 1983:xv. p.113.

5. American Cancer Society. Cancer facts and figures 2000. www.cancer.org.2001 (Accessed on March 08, 2005).

6. Hannuksela-Svahn A, Pukkala E, Karvonen J. Basal cell skin carcinoma and other nonmelanoma skin cancers in Finland from 1956 through 1995. Arch Dermatol 1999; 135:781.

7.  L. Ríos-Buceta Actitud ante los epiteliomas basocelulares con bordes afectos Actas Dermosifiliogr (2007) 98, 679-8

8. E Nagore, C Grau, J Molinero, JM Fortea Positive margins in basal cell carcinoma: relationship to clinical features and recurrence risk. A retrospective study of 248 patients European Academy of Dermatology and Venereology JADV (2003) 17,167-170